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Fazenda Mariana produz o primeiro vinho de Itu

  • 28 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 29 de jul.

A cidade de Itu acabou de entrar para o seleto grupo de municípios paulistas produtores de vinhos finos. O responsável por esse marco é o empresário Rafael Vettori, proprietário da Fazenda Mariana, que produziu o primeiro vinho elaborado a partir de uvas cultivadas em solo ituano.O projeto nasceu da busca por novas alternativas para uma propriedade com forte tradição agrícola. Segundo Rafael, a Fazenda Mariana, anteriormente conhecida como Vila Mariana e Santa Mariana, iniciou sua história como uma fazenda de café no século XIX. Foi justamente pesquisando novas possibilidades para a propriedade que surgiu a ideia de investir na viticultura.

"Quando assumi a direção da fazenda, ela estava toda voltada para a criação de gado de corte, atividade que mantivemos e aprimoramos. Mas, pesquisando sobre outras possibilidades para essa terra tão especial, deparei-me com uma entrevista do engenheiro agrônomo Murilo Regina, criador da técnica da dupla poda, em que ele dizia, de maneira resumida, que onde o café prosperou no século XIX e início do XX, ali haveria condições favoráveis para cultivo de uva vinífera com manejo de dupla poda. É o caso de Itu! Então, fiz contato com o Dr. Murilo, agendamos uma visita técnica, e o projeto começou."

O cultivo das uvas é realizado utilizando a técnica da dupla poda, também conhecida como poda invertida, desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina. O método consiste em inverter o ciclo natural da videira para que a colheita aconteça durante o inverno, período considerado ideal para a produção de vinhos de alta qualidade no Sudeste brasileiro. Rafael explica que, apesar da realização de duas podas ao longo do ano, existe apenas uma colheita.


"A técnica desafia o ciclo tradicional da videira. É preciso inverter o ciclo fazendo duas podas por ano e transferindo a colheita, que naturalmente seria no verão, para o inverno. Por isso o nome 'vinhos de inverno'. Embora existam dois ciclos vitícolas, ocorre apenas uma colheita por ano."


Como Dr. Murilo reside em Minas Gerais, o necessário acompanhamento (ainda mais nos estágios iniciais do vinhedo) ficou a cargo do engenheiro agrônomo Daniel Miqueletto, que reside em Louveira (SP) e assessora diversos vinhedos do tipo em cidades como Porto Feliz, Indaiatuba, Itatiba e Jundiaí.


A primeira safra dos vinhos produzidos na Fazenda Mariana recebeu um nome carregado de significado: Abrigo.


Segundo Rafael, o nome representa exatamente aquilo que a propriedade simboliza em sua vida.

"O nome escolhido foi 'Abrigo' porque sintetiza aquilo que a fazenda representa para mim: um lugar de paz, refúgio e acolhimento. É um nome que também remete a uma sensação de conforto, que um bom vinho é capaz de oferecer."

Atualmente a Fazenda Mariana cultiva três variedades de uvas viníferas em uma área de um hectare: Syrah, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc. Após a colheita, toda a produção segue para uma vinícola localizada em Jacutinga (MG), onde acontece a vinificação, sob supervisão de enólogos especializados.


"Após a colheita, as uvas são transportadas para uma vinícola em Jacutinga, onde ocorre todo o processo de vinificação, além do envase e da rotulagem das garrafas. Diversas vinícolas oferecem esse tipo de serviço para produtores de uva. O produtor envia suas uvas e retira as garrafas prontas para comercialização."

Segundo Rafael, esse modelo é bastante comum e também pode ser encontrado em cidades como Jundiaí, Louveira, São Roque e Espírito Santo do Pinhal. Antes mesmo do plantio, foram realizados diversos estudos para verificar a viabilidade do cultivo em Itu. As análises demonstraram que o solo da Fazenda Mariana possui excelente fertilidade, boa drenagem e predominância de areia sobre argila, características consideradas ideais para a produção de vinhos finos.


"Hoje é possível afirmar com segurança que, no inverno do Sudeste brasileiro, as uvas viníferas encontram as condições perfeitas para seu desenvolvimento. Há menor índice de chuvas e alta amplitude térmica, com manhãs quentes e ensolaradas e noites mais frescas."

Essa diferença de temperatura favorece o equilíbrio dos compostos fenólicos presentes nas uvas, proporcionando frutos de elevada qualidade.

Além da análise do solo, também foram avaliados dados climáticos da região antes da implantação do vinhedo.


"Realizamos análises e constatamos que o solo era bastante fértil, bem drenado e com percentual de areia superior ao de argila. Também conferimos dados sobre o regime de chuvas e médias de temperatura, como manda a cartilha da dupla poda. Realizamos periodicamente adubação organomineral criteriosa e fazemos um manejo racional da cobertura verde do solo, com o intuito de manter sua qualidade."



As mudas utilizadas no vinhedo foram adquiridas junto ao viveiro Vitácea Brasil, localizado em Caldas (MG), empresa reconhecida nacionalmente pela qualidade genética e sanitária das plantas.


"Eu mesmo estive lá algumas vezes e pude atestar o compromisso deles com a pureza genética e sanitária das mudas. A Vitácea tem entre seus sócios o Dr. Murilo Regina, pai da dupla poda."

Sexta safra já está em andamento

"Estamos na sexta safra, buscando aperfeiçoamento constante através da contratação de técnicos e investimentos nos meios de produção." Com um hectare cultivado, a expectativa é produzir, em média, 4 mil garrafas por safra. A quarta safra já foi engarrafada, a quinta safra está nos tanques da vinícola em Jacutinga e a sexta safra está sendo colhida neste momento.


"Por enquanto apenas em eventos fechados, como confrarias. Quando chegar a hora, nossa intenção é iniciar a distribuição do vinho por Itu e região. Aqui há excelentes restaurantes, hotéis e lojas. Nosso público é qualquer pessoa que goste de vinho, tendo conhecimento sobre o assunto ou não."

Produzir o primeiro vinho de Itu representa muito mais do que um projeto empresarial. Para Rafael, trata-se também de valorizar o potencial agrícola e a história da zona rural do município.


"Fico bastante orgulhoso do trabalho que estamos desenvolvendo, principalmente porque acredito que os ituanos devam olhar com mais carinho para a zona rural. A terra de Itu é excelente e a capacidade de inovação na produção agropecuária é imensa. A zona rural de Itu merece ser preservada, para o bem de todos, além de admirada por sua beleza natural e história secular."

Turismo rural está nos planos


Além do crescimento da produção, a Fazenda Mariana avalia ingressar no segmento de turismo rural. A proposta acompanha o desenvolvimento da Rota do Cristalino Paulista, circuito turístico que reúne produtores de Itu, Porto Feliz, Indaiatuba, Itupeva, Jundiaí e Louveira.

"Nosso projeto está nascendo e estamos avaliando a possibilidade de ingressar no ramo do turismo rural para dar vazão à produção dos vinhos."

Rafael acredita que o trabalho desenvolvido na Fazenda Mariana poderá contribuir para fortalecer toda a vitivinicultura paulista.



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