Conheça Paulinho, especialista em plantas medicinais e fundador da PC Ervas em Salto
- libymkt Itu
- 21 de fev.
- 3 min de leitura

Nesta semana, a equipe do Jornal Agro Itu visitou a fazenda de Paulo César Michelone na cidade de Salto. Acompanhados pelo agrônomo Ricardo Henrique Martins, percorremos cada espaço da propriedade onde tradição, estudo e prática caminham juntos em meio a uma grande diversidade de plantas medicinais.
Logo no início do tour, Paulinho, como prefere ser chamado, apresentou parte das espécies cultivadas: babosa, alecrim, arnica, melão-de-São-Caetano, limão-vinagre, mil-folhas, pimenta, picão, melissa, cidreira, menta, entre tantas outras. Com segurança, ele cita nomes científicos, propriedades terapêuticas e formas de aplicação. O domínio do assunto impressiona — e tem base sólida.
Biólogo e engenheiro por formação, Paulinho atua desde 1993 na área. Ao longo da trajetória, acumulou mais de 65 diplomas de especialização em plantas medicinais e biologia, incluindo estudos realizados nos Estados Unidos. Parte desse caminho iniciou com um curso do SENAR, por meio do Sindicato Rural, que despertou ainda mais seu interesse pela área e o incentivou a cursar Biologia, aprofundando-se na pesquisa e aplicação prática das plantas. “Eu acredito que a ciência deve ser encarada sem fanatismo. Não sou contra antibióticos e medicamentos, sei usar como ninguém depois de tantos anos de experiência. Mas, sempre que possível, prefiro buscar na natureza a solução para as doenças”, afirma.

Durante 15 anos, Paulinho foi gerente da Granja Querência, uma granja de suínos em Salto. Nesse período, desenvolveu projetos de engenharia e atuou diretamente no manejo e na sanidade animal. Foi nessa fase que enfrentou um dos grandes desafios da produção intensiva: o uso excessivo de antibióticos e promotores de crescimento. “Na época, usava-se muito antibiótico e alguns medicamentos já não funcionavam mais. Precisávamos buscar alternativas”, relembra. Ele passou então a testar soluções naturais, utilizando ingredientes como cebolinha, limão e até minhocas, aplicando conhecimento técnico aliado à observação da natureza.
Posteriormente, trabalhou com a estrutura ligada ao empresário Abílio Diniz, contribuindo para a implantação do selo de garantia de origem para suínos destinados ao Carrefour, referência mundial no setor. Em um dos projetos no Mato Grosso, coordenou uma estrutura com duas mil matrizes de suínos ao longo de quatro anos.
Hoje, como produtor rural, Paulinho está à frente da PC Ervas, empresa que desenvolve oito produtos conhecidos na região, além de garrafadas e chás preparados conforme a necessidade de quem o procura. Entre os produtos estão a pomada anti-inflamatória para artrite, o Fitocox (voltado para suínos) e o Fitocicratizante à base de espinheira-santa, destinados tanto a animais quanto a humanos.
A pomada para artrite tem uma história pessoal. “Minha mãe, que faleceu em janeiro, tinha artrite. Desenvolvi essa pomada há 20 anos, com casca de jiló, arnica, pimenta e outras plantas da fazenda. Eu passava nas mãos dela e a melhora foi significativa e visível”, conta emocionado.

Atualmente, Paulinho produz de duas a três toneladas de arnica por mês. Ele mostrou à reportagem todo o processo: do plantio à secagem, da moagem até o ensacamento. Sem espaço para manter grande estoque, trabalha sob demanda, produzindo conforme os pedidos. Há dois anos, passou também a fornecer para laboratórios, além de vender para farmácias e clientes diretos.
Paulinho estudou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ao seu lado está a sócia Rosângela F. Santos, pedagoga e farmacêutica que auxilia nos processos da PC Ervas. O agricultor é casado há 33 anos com a pedagoga Gilvania Michelone e tem cinco filhos. Uma das filhas cursa Nutrição na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Hoje, mais do que produzir, Paulinho transmite conhecimento. Ensina os filhos, compartilha aprendizados com conhecidos e mantém viva a convicção de que ciência e natureza podem caminhar juntas. Entre estufas, ervas secando ao sol e o aroma intenso da arnica recém-moída, a fazenda revela mais do que uma produção agrícola: revela uma trajetória construída com estudo, experiência prática e a certeza de que o campo ainda guarda respostas valiosas para a saúde humana e animal.










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