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Alambique familiar em Itu ganha destaque com a premiada Cachaça Maria Clara

  • Foto do escritor: libymkt Itu
    libymkt Itu
  • 7 de mar.
  • 5 min de leitura


Uma história que mistura tradição familiar, superação e paixão deu origem à Cachaça Maria Clara, produzida em Itu pelos empresários Eric Faustino e Cibele Silveira. O projeto, que começou como um sonho antigo da família, hoje se consolida como uma marca reconhecida e premiada no cenário da cachaça paulista.


Nascidos em Itu, Eric e Cibele se conhecem desde a infância. Em 1992, ainda crianças, brincavam na mesma rua e frequentavam os mesmos lugares do bairro. Na adolescência, chegaram a namorar, mas seguiram caminhos diferentes por um tempo. Anos depois, já adultos, se reencontraram e retomaram a relação. Cibele, formada em Química de Bebidas, trabalhava em uma loja de ortopedia, enquanto Eric, formado em Publicidade, havia aberto uma empresa de comunicação e uma gráfica em Indaiatuba. Ele fundou o negócio em 2000 e, em 2007, mudou-se para a cidade vizinha para expandir a empresa.


A vida do casal, no entanto, enfrentou momentos difíceis. Cibele sofreu dois abortos e, após exames realizados com um especialista em Campinas, os dois receberam a notícia de que teriam dificuldades para engravidar. Foi justamente nesse período delicado que um antigo sonho da família voltou à tona.


O pai de Eric já havia cogitado produzir cachaça em 1997 e chegou a fazer um orçamento para montar um alambique, mas o projeto acabou ficando apenas no papel. O assunto voltou à mesa anos depois, quando Eric assistia a um documentário sobre cachaça apresentado por Arthur Veríssimo, conhecido pelo programa “Bendita Marvada”.


Inspirado pela reportagem, Eric decidiu resgatar o antigo sonho do pai. Ele já possuía um sítio e viu ali uma oportunidade de iniciar o projeto.


Foi nesse período que Cibele descobriu que estava grávida novamente. Porém, até determinado momento da gestação, o bebê não se mexia na barriga, o que preocupava os médicos. Foi durante um programa sobre cachaça, a música da abertura tocou e o bebê se mexeu pela primeira vez. O casal interpretou o momento como um sinal. A partir dali, decidiram levar o projeto adiante.


Com o antigo orçamento feito pelo pai de Eric em 1997 nas mãos, começaram a viajar por cidades tradicionais na produção de cachaça, visitando alambiques e aprendendo com produtores experientes. Segundo eles, foram recebidos com muito carinho por todos que encontraram pelo caminho. Durante esse período, o pai de Eric, já com cerca de 70 anos, também mergulhou no projeto e começou a estudar sobre solo e cultivo de cana-de-açúcar. Ele construiu um barracão para que o filho pudesse iniciar o investimento.


A filha do casal nasceu e recebeu o nome de Maria Clara. Foi então que surgiu a ideia de batizar a cachaça com o nome da menina. Embora seja comum que marcas de cachaça levem nomes de mães ou avós, o pai de Eric insistiu para que o produto tivesse o nome da criança. Eric decidiu que faria “o melhor alambique do mundo”, justamente por carregar o nome da filha. Todos os equipamentos foram comprados à vista e a estrutura foi montada com muito planejamento. No entanto, o início da comercialização não foi simples.


Durante a pandemia, o casal recebeu uma notificação informando que a produção estava regularizada, mas não havia registro de vendas, o que gerou uma multa. Para conseguir pagar a penalidade, decidiram vender as primeiras garrafas pelo WhatsApp. Em apenas 40 minutos, conseguiram vender 80 garrafas. A partir dali, a história começou a ganhar força. Uma das garrafas acabou chegando à prefeitura e despertou o interesse de uma secretária, que convidou o casal para participar da feira EcoArt em 2022, durante as comemorações do Dia dos Pais.


Sem experiência em feiras, eles improvisaram a estrutura: o pai de Eric construiu uma mesa de madeira, compraram tecidos para decorar o espaço, criaram um rótulo simples e adquiriram uma máquina de cartão. Cibele pegou uma garrafa na mão e começou a apresentar o produto ao público. A receptividade surpreendeu. Muitas pessoas queriam conhecer a história por trás da marca e a participação em feiras se tornou uma forma importante de divulgação. Depois disso, passaram também pela tradicional feira da Praça do Carmo.


Outro passo importante foi a abertura de uma loja física. Durante uma ação solidária em apoio à APAE, entidade que Eric ajuda há mais de 20 anos, um padre sugeriu que o casal alugasse um espaço no entorno da Praça do Bom Jesus. Uma cliente que trabalhava como corretora apresentou o imóvel e o padre ofereceu três meses de aluguel gratuito para que o projeto pudesse começar.


Com poucos recursos, o casal estruturou a loja e passou a trabalhar também com produtos em consignação de produtores locais, ajudando pequenos empreendedores da região. A proposta sempre foi valorizar produtos do estado de São Paulo, com exceção de um azeite mineiro utilizado pela casa, que inclusive já recebeu o título de melhor do mundo em um concurso na Itália.




Hoje, a loja da Cachaça Maria Clara está localizada na Rua Paula Souza, 547, na Praça do Bom Jesus, no centro de Itu. O espaço funciona de terça a sexta-feira, das 12h às 18h, e aos sábados, das 9h30 às 17h.


O reconhecimento do trabalho também começou a aparecer em forma de premiações. Em 2024, a marca recebeu o prêmio máximo em uma degustação realizada por especialistas em São Paulo. Recebeu a premiação no 1º Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista e A Preferida dos Provadores" em julho de 2025 Medalha de prata (Branquinha) e medalha especial "Pra Tomar Ajoelhado" (Amburana).


No mesmo período, a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo criou o roteiro das cachaças paulistas, reunindo produtores legalizados. A Maria Clara participou com sua cachaça prata e recebeu certificação após análises laboratoriais em degustação às cegas realizada por 43 especialistas. Em 2025, no segundo concurso estadual de cachaças, a marca voltou a se destacar. A cachaça branca conquistou medalha de prata e a versão envelhecida em umburana ficou entre as sete melhores do estado.


Durante visita ao espaço de produção, Eric e Cibele fazem questão de mostrar cada etapa do processo, desde o cultivo da cana nas terras da família até o galpão onde acontece a destilação e o envelhecimento. Entre os barris utilizados estão recipientes de inox, além de tonéis de carvalho europeu, carvalho americano e madeira de umburana.


Entre os projetos mais especiais da marca está o chamado “Barril do Infinito”, criado em 2025. A produção resultou em apenas 200 garrafas exclusivas, com uma receita que não foi anotada. Cada comprador recebeu uma garrafa numerada e terá o nome registrado em um livro especial da marca. Além dessas, foram produzidas seis “garrafas da gratidão”, destinadas a pessoas que ajudaram o casal ao longo da trajetória.


Mesmo com todos os desafios, Eric e Cibele comemoram cada conquista ao lado da filha Maria Clara, que hoje tem 9 anos e costuma acompanhar os pais nos eventos da marca. E já existe um novo símbolo dessa história em construção: no dia 21 de março, quando Maria Clara completa 9 anos, Eric pretende fechar um barril especial de cachaça que será aberto apenas quando ela completar 18 anos. Para 2026 o casal pretende abrir sua propriedade para visitação recebendo turistas para acompanhar de perto a produção. Por enquanto a Cachaça Maria Clara pode ser encontrada em diversos comércios da cidade e também na loja que está no Centro Histórico de Itu. Siga no Instagram: @cachacamariaclara

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